ArabicChinese (Simplified)DutchEnglishFrenchGermanItalianPortugueseRussianSpanish

No último dia 20 de setembro (quinta-feira), o missionário católico e fundador da Comunidade Católica Coração Novo (RJ), Izaias Carneiro, teve um encontro com o Cardeal Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, que é arcebispo de Tegucigalpa, para falar sobre o caminho da unidade dos cristãos na América Latina e o diálogo católico-pentecostal.

O cardeal é colaborador próximo do Papa Francisco e lidera o grupo de nove cardeais que têm colaborado com a reflexão a respeito da presença e posicionamento da igreja frente às questões atuais. Durante o encontro, Izaias falou sobre o movimento de unidade que tem acontecido no Brasil por meio da Missão Somos Um, que reúne cristãos de diferentes denominações através do louvor e da adoração.

Ainda na ocasião, Izaias falou com o cardeal a respeito do Congresso Continental da Misericórdia, que acontecerá na arquidiocese de Tegucigalpa, em Honduras, no ano de 2020.

O encontro com a juventude da Estônia foi ecumênico, na Catedral luterana de Tallinn.

Cidade do Vaticano

A Igreja luterana Kaarli, na capital da Estônia, foi a sede do segundo compromisso do Papa Francisco: o encontro ecumênico com os jovens.

Antes de proferir seu discurso, o Pontífice ouviu o testemunho de três jovens e saudou os representantes das diversas confissões cristãs presentes no país.

Estes encontros, disse o Papa, tornam realidade o sonho de Jesus na Última Ceia: “Que todos sejam um só (…) para que o mundo creia” (Jo 17, 21).

Sínodo sobre os jovens

Francisco dedicou ampla parte do seu pronunciamento para falar da relação dos jovens com os adultos, marcada muitas vezes pela falta de diálogo e de confiança. O Papa citou o Sínodo sobre a juventude, que tem início semana que vem, para mencionar algumas questões que emergiram na consultação preliminar.

Entre elas, os jovens pedem acompanhamento e compreensão, sem julgamentos por parte dos membros das Igrejas.

“ Aqui, hoje, quero lhes dizer que desejamos chorar com vocês se estiverem chorando, acompanhar com os nossos aplausos e nossos sorrisos as suas alegrias, ajudá-los a viver o seguimento do Senhor. ”

Muitos jovens, porém, nada pedem à Igreja, pois não a consideram um interlocutor significativo na sua existência. Outros se indignam diante dos escândalos econômicos e sexuais contra os quais não veem uma clara condenação.

“Queremos dar-lhes resposta, queremos ser – como vocês mesmos dizem – uma ‘comunidade transparente, acolhedora, honesta, atraente, comunicativa, acessível, alegre e interativa’”, garantiu o Papa.

Vida com sabor de Espírito Santo

Ao vê-los assim reunidos a cantar, acrescentou Francisco, “uno-me à voz de Jesus, porque vocês, apesar da nossa falta de testemunho, continuam descobrimendo Jesus dentro de nossas comunidades. Onde está Jesus, a vida tem sempre sabor de Espírito Santo. Aqui, hoje, vocês são a atualização daquela maravilha de Jesus”.

Jesus continua a ser o motivo para estarmos aqui, recordou o Papa. “Sabemos que não há alívio maior do que deixar Jesus carregar as nossas opressões.” Citando uma cantora famosa da Estônia, que dizia que o “amor está morto”, Francisco afirmou que os cristãos têm uma palavra a dizer, algo para anunciar, com poucas palavras e muitos gestos.

Deus está conosco

“Estamos unidos pela fé em Jesus, e Ele espera que O levemos a todos os jovens que perderam o sentido da sua vida. Acolhamos juntos a novidade de que o próprio Deus traz Deus à nossa vida; uma novidade que incessantemente nos impele a partir, para ir aonde se encontra a humanidade mais ferida. Mas nunca iremos sozinhos: Deus vem conosco; Ele não tem medo das periferias.”

“O amor não está morto”, disse por fim o Papa; ele nos chama e nos envia para que a nossa vida cristã não seja um museu de recordações.

O “«ecumenismo vivo», sendo uma das caraterísticas peculiares da Letônia, é um motivo de esperança e ação de graças”, disse Francisco.

Cidade do Vaticano

O segundo compromisso do Papa Francisco na Letônia, nesta segunda-feira (24/09), foi a oração ecumênica na Catedral evangélica luterana de Santa Maria, em Riga, que há mais de 800 anos hospeda a vida cristã dessa cidade.

Francisco manifestou alegria de estar “nesta terra que se caracteriza por realizar um caminho de respeito, colaboração e amizade entre as diferentes Igrejas cristãs, que conseguiram gerar unidade mantendo a riqueza e a singularidade próprias de cada uma. Atrevo-me a dizer que é um «ecumenismo vivo», sendo uma das caraterísticas peculiares da Letônia. É, sem dúvida alguma, um motivo de esperança e ação de graças”.

A casa-catedral

A “casa-catedral”, assim chamada pelo Papa, é uma “testemunha fiel de muitos irmãos nossos que dela se aproximaram para adorar, rezar e sustentar a esperança em tempos de tribulação e encontrar coragem para enfrentar períodos cheios de injustiça e sofrimento”.

“Hoje, hospeda-nos para que o Espírito Santo continue tecendo artesanalmente laços de comunhão entre nós e, assim, faça também de nós artesãos de unidade no meio do nosso povo, para que as nossas diferenças não se tornem divisões.”

“ Deixemos que o Espírito Santo nos revista com as armas do diálogo, da compreensão, da busca do respeito mútuo e da fraternidade. ”

O Pontífice enfatizou que “nesta catedral, encontra-se um dos órgãos mais antigos da Europa e que, no momento da sua inauguração, era o maior do mundo. Podemos imaginar como acompanhou a vida, a criatividade, a imaginação e a piedade de todos aqueles que se deixavam envolver por sua melodia”.

“Foi instrumento de Deus e dos homens, para elevar o olhar e o coração. Hoje é um emblema desta cidade e desta catedral. Para o «residente» neste lugar, representa mais do que um órgão monumental, faz parte da sua vida, da sua tradição, da sua identidade; ao passo que, para o turista, é naturalmente um objeto artístico a ser conhecido e fotografado.”

“E este é um perigo que se corre sempre: passar de residentes a turistas, fazendo daquilo que nos identifica um objeto do passado, uma atração turística e de museu que recorda os feitos de outrora, de alto valor histórico, mas que deixou de fazer vibrar o coração de quantos o escutam.”

A seguir, o Papa acrescentou:

“ Com a fé, pode acontecer exatamente a mesma coisa. Podemos deixar de nos sentir cristãos residentes, para nos tornarmos turistas. ”

“Mais, é possível afirmar que toda a nossa tradição cristã pode sofrer a mesma sorte: acabar reduzida a um objeto do passado que, fechado dentro das paredes das nossas igrejas, deixa de produzir uma melodia capaz de mover e inspirar a vida e o coração daqueles que a ouvem. Porém, como afirma o evangelho que ouvimos, a nossa fé não é para ficar oculta, mas para se dar a conhecer fazendo-a ressoar nos diferentes setores da sociedade, a fim de que todos possam contemplar a sua beleza e ser iluminados com a sua luz.”

A música do Evangelho

Papa Francisco, “se a música do Evangelho deixar de ser executada na nossa vida e se transformar numa bela partitura do passado, já não conseguirá romper as monotonias asfixiadoras que impedem de animar a esperança, tornando estéreis todos os nossos esforços”.

“Se a música do Evangelho parar de vibrar em nossas entranhas, perderemos a alegria que brota da compaixão, a ternura que nasce da confiança, a capacidade da reconciliação que encontra a sua fonte no facto de nos sabermos sempre perdoados-enviados.”

“Se a música do Evangelho cessar de repercutir nas nossas casas, nas nossas praças, nos postos de trabalho, na política e na economia, teremos extinguido a melodia que nos desafiava a lutar pela dignidade de todo o homem e mulher, independentemente da sua proveniência, encerrando-nos no «meu» e esquecendo-nos do «nosso»: a casa comum que a todos nos diz respeito.”

“Se a música do Evangelho deixar de soar, teremos perdido os sons que hão de levar a nossa vida ao céu, entrincheirando-nos num dos piores males do nosso tempo: a solidão e o isolamento.”

“ A doença que surge em quem não possui qualquer laço, e que se pode encontrar também nos idosos abandonados ao seu destino, bem como nos jovens sem pontos de referência nem oportunidades de futuro. ”

Ecumenismo na cruz do sofrimento 

As palavras, Pai, «que todos sejam um (…) para que o mundo creia», continuam ressoando intensamente no meio de nós, graças a Deus.

Imersos nesta oração de Jesus, “encontramos a única estrada possível para todo o ecumenismo na cruz do sofrimento de tantos jovens, idosos e crianças, frequentemente expostos à exploração, ao absurdo, à falta de oportunidades e à solidão. Enquanto fixa o olhar no Pai e em nós, seus irmãos, Jesus não cessa de implorar: que todos sejam um”.

“Hoje, a missão continua a pedir-nos e a solicitar de nós a unidade; é a missão que nos exige que paremos de olhar as feridas do passado e acabemos com todas as atitudes autorreferenciais para nos centrarmos na oração do Mestre. A missão pede para que a música do Evangelho não cesse de soar em nossas praças.

Viver o Evangelho com alegria, gratidão e radicalidade

Segundo o Papa, “alguns podem chegar a dizer: são tempos difíceis e complexos, estes que estamos vivendo. Outros podem chegar a pensar que, em nossas sociedades, os cristãos têm cada vez menos margem de ação e influência devido a inúmeros fatores, como, por exemplo, o secularismo ou as lógicas individualistas”.

“Isto não pode levar a uma atitude de fechamento, de defesa, nem de resignação.”

“ Não podemos deixar de reconhecer que certamente os tempos não são fáceis, sobretudo para muitos dos nossos irmãos que hoje vivem na sua carne o exílio e até o martírio por causa da fé. ”

“Mas o seu testemunho nos leva a descobrir que o Senhor continua nos chamando, convidando-nos a viver o Evangelho com alegria, gratidão e radicalidade.”

“Se Cristo nos considerou dignos de viver nestes tempos, nesta hora – a única que temos –, não podemos nos deixar vencer pelo medo nem deixar que ele passe sem a assumir com a alegria da fidelidade.

“ O Senhor nos dará a força para fazer de cada tempo, de cada momento, de cada situação uma oportunidade de comunhão e reconciliação com o Pai e com os irmãos, especialmente com aqueles que hoje são considerados inferiores ou matéria de descarte. ”

Unidade em chave missionária

O Papa frisou que a unidade “a que o Senhor nos chama, é uma unidade sempre em chave missionária, que nos pede para sair e alcançar o coração do nosso povo e das culturas, a sociedade pós-moderna em que vivemos «onde são concebidas as novas histórias e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades»”.

“Conseguiremos realizar esta missão ecumênica, se nos deixarmos impregnar pelo Espírito de Cristo que é capaz de «romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreender-nos com a sua constante criatividade divina.”

“Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual»”, concluiu o Papa.

 

Fonte: vatican news