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Marco Teológico

Quanto à unidade dos cristãos, a Missão Somos Um partilha do marco teológico da própria Igreja, conforme as Escrituras e o magistério pontifício. A unidade dos que creem é desejo do próprio Jesus e objeto de sua oração ao Pai, pouco antes de sua glorificação pela Cruz e Ressurreição:

Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo creia que Tu me enviaste e os amaste, como amaste a mim (João 17,20-23).

O fundamento da unidade é, portanto, Cristo – Cabeça da Igreja – tendo por agente o Espírito Santo, vín- culo de amor (vinculum caritatis):

Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo. Assim também acontece com Cristo. Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres, e todos bebemos de um só Espírito […] Ora, vós sois o corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte (1Cor 12,12-13.27).

Em resposta ao sint unum do Senhor, o Concílio Vaticano II atesta que o esforço ecumênico da Igreja não é um acessório eclesial, mas parte integrante de sua missão:

Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II. Começou [o Senhor] ultimamente a infundir de modo mais abundante nos cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Por toda a parte, muitos homens sentiram o impulso desta graça. Também surgiu entre os nossos irmãos separados, por moção da graça do Espírito Santo, um movimento cada vez mais intenso em ordem à restauração da unidade de todos os cristãos. Este movimento de unidade é chamado ecumênico. Participam dele os que invocam Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador […] (Unitatis redintegratio n. 1).

E após afirmar a constituição pneumatológica da Igreja e a vitalidade dos carismas (cf. Lumen gentium 4 e 12), o mesmo Concílio destaca:

O Espírito Santo, que habita nos crentes, que enche e governa toda a Igreja, é quem realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, de modo a ser o princípio da unidade da Igreja. É Ele quem opera a distribuição das graças e dos ministérios, enriquecendo a Igreja de Jesus Cristo com diferentes dons “a fim de capacitar os santos para a obra do ministério na edificação do Corpo de Cristo” [Ef 4,12] (Unitatis redintegratio n. 2).

Por sua vez, São João Paulo II considerou o empenho ecumênico um dos principais imperativos do Evangelho em face da evangelização na contemporaneidade:

Quando afirmo que para mim, Bispo de Roma, o empenhamento ecumênico constitui ‘uma das prioridades pastorais’ do meu pontificado, é por ter no pensamento o grave obstáculo que a divisão representa para o anúncio do Evangelho. Uma Comunidade cristã que crê em Cristo e deseja, com o ardor do Evangelho, a salvação da humanidade, não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível. Trata-se de um dos imperativos da caridade que deve ser acolhido sem hesitações. O ecumenismo não é apenas uma questão interna das Comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e obstaculizar este amor é uma ofensa a Ele e ao seu desígnio de reunir todos em Cristo. O Papa Paulo VI escrevia ao Patriarca Ecumênico Atenágoras I: ‘Possa o Espírito Santo guiar-nos no caminho da reconciliação, para que a unidade das nossas Igrejas se torne um sinal cada vez mais luminoso de esperança e de conforto para toda a humanidade’ (Ut unum sint n. 99).

O Papa Francisco, em sua visita à Igreja Pentecostal da Reconciliação, em Caserta (Itália), reafirmou com o Vaticano II que o artífice da unidade dos cristãos é o Espírito Santo:

Que faz o Espírito Santo? Disse que faz outra coisa, que talvez se possa pensar que seja divisão, mas não é! O Espírito Santo faz a ‘diversidade’ na Igreja […] E esta diversidade é deveras tão rica, tão bonita. Mas depois, o mesmo Espírito faz a unidade, e assim a Igreja é una na diversidade. E, usando uma palavra bonita de um evangélico do qual eu gosto muito, uma ‘diversidade reconciliada’ pelo Espírito Santo. Ele faz ambas as coisas: faz a diversidade dos carismas e depois a harmonia dos carismas […] Nós estamos na época da globalização, e pensamos no que é a globalização e no que seria a unidade na Igreja: talvez uma esfera, na qual todos os pontos são equidistantes do centro, todos iguais? Não! Esta é uniformidade. E o Espírito Santo não faz uniformidade! Que figura podemos encontrar? Pensemos no poliedro: o poliedro é uma unidade, mas com todas as partes diversas; cada uma tem a sua peculiaridade, o seu carisma. Esta é a unidade na diversidade. É neste caminho que nós cristãos fazemos aquilo a que chamamos com o nome teológico ecumenismo: procuremos fazer com que esta diversidade seja mais harmonizada pelo Espírito Santo e se torne unidade; procuremos caminhar na presença de Deus para ser irrepreensíveis; procuremos ir em busca do alimento do qual precisamos para encontrar o irmão. É este o nosso caminho, esta é a nossa beleza cristã!

No contexto específico da experiência carismático- -pentecostal, Papa Francisco disse aos participantes do 37o Encontro Nacional da Renovação Carismática italiana:

[Espero] Que deis um testemunho de ecumenismo espiritual com todos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs que creem em Jesus como Senhor e Salvador. Que permaneçais unidos no amor que o Senhor Jesus pede a nós por todos os homens, e na oração ao Espírito Santo para alcançar esta unidade, necessária para a evangelização em nome de Jesus. Recordai que ‘a Renovação Carismática é ecumênica pela sua própria natureza… A Renovação Carismática rejubila-se por aquilo que o Espírito Santo realiza nas outras Igrejas’.

Por isso, a Missão Somos Um tem por referência o Pentecostes, como evento escatológico contínuo a iluminar e renovar a Igreja de Cristo, em unidade, santidade, catolici- dade e apostolicidade (cf. Lumen gentium n. 4).